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DemoKino – Ágora virtual de biopolítica


Clonagem
 
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Kolja: ... ou deixe uma mensagem após o sinal. Eles nunca estão em casa!

(bell rings)

Mormon 1: Alô! Vocês estariam interessados em...
Kolja: Não, não...
Mormon 1: Não demora muito...
Kolja: Eu disse NÃO, OBRIGADO!
Mormon 2: Mas... mas... mas nós...
Kolja: NÃO!

Eu misturo-os sempre: os Mormons, os testemunhas de Jeová e outros. Eles batem à porta às horas mais absurdas, de madrugada até. São estranhos. O mundo está repleto de seitas, várias igrejas, grupos religiosos bizarros.

Aqueles ligados a OVNIS, por exemplo. Aqueles que acreditam ser extraterrestres e que pregam que os extraterrestres virão salvar-nos? É o Ral, não, Rahel, sim, os Rahelianos é assim que se chamam. Aqueles que clamam ter clonado um bébé. É verdade?

Nunca apresentaram nenhuma evidência. Com certeza que não o fizeram, mas mais cedo ou mais tarde alguém clonará um ser humano.

Sapos, ovelhas e quem sabe que outros animais já foram clonados. A pobre Dolly está morta. Morreu uma morte prematura, sofreu as mesmas doenças que atacam uma ovelha velha. A vida não é um brinquedo com o qual todos podem brincar. Quero dizer, veja só os resultados.

Mesmo assim, insiste-se que seres humanos já foram clonados em alguma parte do planeta mas os média ainda não tornaram isso público. Há uns anos atrás no final dos anos setenta, havia um livro intitulado À Sua Imagem, publicado em 1978, sobre como um milionário se clonou produzindo um filho exactamente à sua imagem. Nunca teve fim a controvérsia que esse livro começou. O autor era um jornalista científico, acho que o nome dele era Rorvik, e foi acusado por todos os lados de ser um mentiroso, um oportunista. Enfim, talvez em 78 as biotecnologias não estivessem tão avançadas mas acho que hoje é possível clonar um homem.

Para realizar uma clonagem com sucesso, é preciso uma fêmea, qualquer que seja o caso, para levar a gravidez em frente. Só a inseminação não ocorre da maneira usual. É o cientista que recolhe o núcleo de uma célula somática de uma célula do corpo adulto, não do espermatozóide, e insere-o no núcleo de um óvulo. A célula do óvulo não possui mais o seu próprio núcleo mas sim o de outra pessoa. Portanto, não se misturam os cromossomas do pai com os da mãe, só há os cromossomas daquela pessoa, do "doador", de quem a célula somática foi recolhida.

Quando o embrião se desenvolve e o bébé nasce, tem exactamente a mesma formação genética dos seu pais: o mesmo sexo, a mesma cor de olhos, a mesma estrutura óssea e biológica.

Se me clonassem, o bébé seria exactamente como eu naquela idade. Mas quem pode dizer que, se o bébé crescesse da mesma maneira que eu cresci, ele teria a minha personalidade ou se vivesse as mesmas experiências que eu vivi até agora?

Ainda estamos para ver. Qual das duas é mais importante: a predisposição genética ou a influência ambiental, as pessoas com quem se relaciona, a vida que escolhe? Sem dúvida ambas são importantes, mas, podem as experiências individuais determinar que uma pessoa siga uma direcção totalmente oposta daquela que prevê a sua identidade genética? Quem pode dizer?

É óbvio que o meio ambiente pode determinar mudanças numa pessoa: de forma que, se eu tivesse um clone, é quase certo que ele não se desenvolveria exactamente da mesma maneira que eu. Uma das razões sendo a diferença de tempo de vinte, trinta ou até mais anos entre a minha infância e a dele. Nesse intervalo, a sociedade, o ambiente, as condições de vida e as oportunidades ter-se-ão modificado consideravelmente.

Há também o dilema ético ou moral: seria certo clonar um ser humano? De acordo com o que tenho vindo a ler, a maioria dos cientistas são contra, e aqueles que são a favor da clonagem parecem pertencer àquelas seitas malucas como os Rahelianos ou são algumas figuras marginalizadas pela comunidade científica.

No entanto, porquê eliminar uma opção mesmo que condenada no momento presente pela maioria dos especialistas?

Uma coisa é certa: a questão sobre se é certo ou errado clonar um ser humano não se deve basear na presunção de que o clone será uma cópia idêntica do doador e que, sendo assim, perderia a sua autenticidade. Esta presunção, seja desejável ou não, não poderá acontecer porque o ambiente que nos circunda cumpre um papel fundamental aqui e previne qualquer possibilidade da vida de uma pessoa ser uma réplica da vida de outra. E mais, há casos de pessoas com a mesma formação genética na natureza: chamam-se gêmeos monozigóticos.

Concluindo: que argumentos poderiam sustentar a ideia de clonagem humana? Não consigo pensar em mais do que um: a liberdade de produzir a sua descendência da maneira que os pais acharem melhor. É verdade que a clonagem é um método de reprodução que poderia ser descrito como artificial porque, na natureza, nenhuma outra criatura que se reproduz sexualmente o faz dessa maneira. Mas pense em todas as outras coisas que fazemos de forma não natural. Cozinhamos a nossa comida, locomovemo-nos em carros e aviões, construímos prédios.
E se novas maneiras de fazer coisas são inventadas pela ciência e tecnologia, por que não usá-las? Até o contra-argumento - que os bébés clonados teriam as suas personalidades super expostas à manipulação não fica sem respostas: bébés que vêm ao mundo da forma mais natural também são manipulados, ou melhor, são influenciados fortemente pelos pais desde a primeira infância.

Aqueles que são contra a clonagem humana poderiam argumentar que a liberdade do doador para reproduzir o seu clone, da maneira que ele considera favorável, entra em conflito com a liberdade do clone de alcançar auto-satisfação no futuro: porque, de qualquer forma, a pessoa que vem ao mundo com a formação genética dos seus pais, é menos livre que aqueles cuja identidade genética é uma mistura aleatória de dois conjuntos diferentes de cromossomas.

Os oponentes à questão poderiam sustentar que a clonagem nega a dignidade natural do ser humano porque restringe uma pessoa a uma certa "história" e a uma relação directa e exclusiva com uma outra pessoa, o doador. Também poderiam chamar a atenção para os perigos que o clone enfrenta se considerarmos que várias tentativas são necessárias para que uma clonagem aconteça com sucesso e não há garantia de que o implante do núcleo do doador no óvulo será feito sem danos.
Sobretudo, os opositores da clonagem poderiam argumentar também que ninguém deveria ter poder sobre a existência de outrém como para programar a sua identidade biológica ou para seleccioná-la com arbitrariedade e instrumentalidade de critérios.

Bom, está a ficar tarde. A dúvida persiste: podemos permitir a clonagem de um ser humano ou não?


Antonio Caronia.
DemoKino – Ágora virtual de biopolítica - Clonagem.

 
 
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